Proteção Animal, Receitas Veganas e Vegetarianas, Direitos dos Animais

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A vida como ela é: Geppetto. Poderia ser diferente.

Por Dani Pedroso e Elisete, Porto Alegre/RS


 
Amigos,

É com muito pesar que hoje trazemos a triste notícia de que o Geppetto, um de nossos afilhados, morreu.
Para quem não se recorda, o Geppetto foi encontrado pela Elisete em uma tarde quente de abril do ano passado. Ele havia sido atropelado e estava jogado no asfalto há horas, no sol, gritando de dor e aguardando que uma pessoa bondosa o enxergasse.
Muitas pessoas passaram por ele, mas ninguém foi capaz de tirá-lo do sol, lhe oferecer uma água ou fazer qualquer coisa que amenizasse um pouco seu sofrimento.
Quando foi internado na clínica veterinária, descobrimos que o Geppetto já era um senhor com idade avançada, era cego, estava com sarna, desnutrido, desidratado e, em função do atropelamento, apresentava múltiplas fraturas na bacia.
O vovô Geppetto tinha poucas chances de sobreviver, mas, mais uma vez, com a ajuda de vários amigos, pudemos oferecer a ele todo o cuidado necessário para que ele melhorasse. Ele ficou internado aproximadamente dois meses, recebendo alimentação especial, vitaminas, medicamentos e permanecendo em repouso absoluto.
Com todos esses cuidados, o Geppetto recuperou-se e, então, foi abrigado em uma casa de passagem. Logo de cara, a Aline, uma querida colaboradora, resolveu amadrinhar o Geppetto, custeando sua ração, até que chegasse o tão sonhado dia em que uma pessoa se comoveria com sua história, somaria essa comoção ao desejo de ter um amigo e, então, entraria em contato conosco para adotar o Geppetto.
Nesse dia, o Geppetto iria para a casa nova e lá receberia tudo aquilo que sonhamos para ele desde o dia do seu resgate - teria uma caminha quentinha, comidinha, carinho, teria com quem brincar, faria passeios no parque, latiria para os estranhos que rodeassem sua casa, sujaria o sofá, iria regularmente ao veterinário, ou seja, ele faria parte de uma família.
Esse era o nosso desejo, mas esse dia infelizmente nunca chegou. O Geppetto continuou na casa de passagem.
Na Nara (casa de passagem), o Geppetto foi muito bem cuidado. Fomos visitá-lo várias vezes e sempre que chegávamos, lá estava ele, faceiro, gordinho, pedindo carinho.
Devido a sua idade avançada, a Nara deu a ele alguns "direitos" que os outros peludos abrigados lá não tem: ele recebia alimentação de filhotes, porque tinha poucos dentes para mastigar, e dormia dentro de casa, ao lado da cama da Nara.
Na manhã de quarta-feira, dia 20/07, o Geppetto amanheceu morto. No dia anterior, sua rotina foi absolutamente normal, ele não apresentou qualquer sintoma ou reação que sinalizasse algum problema. Morreu de forma natural, de velhinho mesmo.
Nos sentimos conformadas por saber que, graças a Deus, conseguimos salvar o Geppetto a tempo de mostrar-lhe o respeito, o amor, o carinho, a dignidade, tudo aquilo que a vida não lhe tinha dado anteriormente. Porém, é inevitável não pensar em tudo o que o querido cachorrinho passou no decorrer de sua vida.
Inevitável é, também, ao pensar na história do Geppetto, não nos entristecermos ainda mais ao lembrar dos que continuam por aí - na rua, sofrendo maus-tratos, na chuva, no frio, no sol escaldante, à procura de um buraquinho para se aquecer, à procura de um resto de lixo para comer, bebendo água nas poças d'água, agonizando até a morte, morrendo em gaiolas à espera de adoção...
São tantas as situações, mas em todas elas há uma relação em comum:
De um lado está um animalzinho à espera de alguém que o enxergue, que não somente o veja e ignore, mas que o enxergue com os olhos do amor, da solidariedade, do altruísmo. Do outro lado, estou eu, está você, estamos nós, com a oportunidade única de mudar uma triste história, conscientes de que "fazer acontecer" depende apenas de nós mesmos.
Sabemos que, como forma de retribuição, receberemos fidelidade e gratidão eternas e incondicionais que só um ser de quatro patas pode dar!
Lembramos daquela frase que diz mais ou menos assim: "Sempre haverá em algum lugar um animal abandonado me impedindo de ser totalmente feliz".
Sendo assim, o Geppetto se foi, mas deixa reforçado em nossos corações o sentimento de não permanecer insensível diante de um animal à espera de ajuda. Continuaremos, mais do que nunca, tentando fazer por cada animal necessitado que cruzar o nosso caminho algo que amenize um pouco seu sofrimento e hoje queremos te fazer um convite: Se você ainda não faz parte do nosso time, junte-se a nós!

Nosso muito obrigada à Aline, que nos ajudou financeiramente durante todo esse tempo, e à Nara, que ofereceu, dentro de suas limitações, a melhor "aposentadoria" possível que o Geppetto poderia receber.

Abraço,
Dani e Elisete

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