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domingo, 30 de dezembro de 2012

A história da valente Glorinha - amor e superação

Normalmente neste blog falo sobre abandono de animais e sobre adoção.
Hoje, penúltimo dia de 2012, vou falar sobre um aprendizado que tive este ano.
Era julho, quando nossa cachorra filhota Glorinha teve um problema bucal e a levamos para fazer uma avaliação. Fez exames e dentre estes um hemograma, que mostrava plaquetas alteradas, mas nem tanto a ponto de chamar tanto a atenção da veterinária para que fizesse outros exames. Tratou o problema bucal e ficou por isto.
Chegou agosto e com ele o início do que considero a situação mais difícil que já vivi.
Glorinha andava estranha, quieta, pelos cantos e com um pouco de secreção nos olhos. Fiquei apavorada no dia em que ela vomitou e não conseguia ficar em pé sozinha. Levei rapidamente para uma consulta e me disseram que ela estava desidratada, precisando de soro para reequilibrar. Foram 3 dias seguidos de soro, indo e vindo para casa e para a clínica. Final de semana e a veterinária concluiu que o melhor era ela ir para um local que tivesse plantão 24 horas, pois precisaria de mais soro e mais acompanhamento. Levamos nossa Glorinha para a tal clínica, na qual ela entrou desidratada e, após vários exames, nenhum diagnóstico fechado, 6 dias de internação, saiu à beira da morte e "super hidratada"! Acreditem, "super hidratada"!
Retornamos à primeira clínica, onde solicitaram um RX de tórax e face, pois havia suspeita de pneumonia. Meu marido a levou para fazer os tais exames e quando chegou lá ela já não caminhava sozinha. Conseguiram fazer somente o RX do tórax e foi constatada pneumonia.
De volta à clínica, Glorinha entrou em sua quase morte, pois teve parada cardíaca, falta de oxigenação, super hidratação e pressão marcada em 2.
Os veterinários foram incansáveis, usaram todos os recursos possíveis e impossíveis: oxigênio, remédios para pressão sanguínea e para que ela urinasse, pois precisavam fazê-la desinchar, senão nem as veias conseguiriam pegar para dar-lhe as medicações.
Esta foi sem dúvida a pior noite da minha vida. Ouvir os gritos de dor dela e vê-la quase partindo, ao mesmo tempo foi dolorido para mim, como mostrou que a nossa fé é o diferencial em situações limites, sejam quais forem.
Após buscarem ajuda com uma veterinária cardiologista, conseguiram dar uma equilibrada no estado dela e assim pudemos transferi-la para uma terceira clínica mais completa com recursos tipo UTI.
Durante esta internação provamos de todos os sentimentos. Era um misto de coragem e de medo. Glorinha tinha convulsões, sua pressão ora equilibrava ora não, praticamente não tinha movimentos, enfim, foram momentos angustiantes, mas permeados de muito amor, de muita perseverança e de muita luta de ambas as partes. Nós queríamos que ela voltasse pra nós, mas ela também queria voltar pra nós.
Tivemos momentos de dor em que chegamos a perguntar aos médicos se para ela seria melhor terminar com aquele sofrimento, pois embora acreditemos que se houver 1% de vida vale a pena tentar, não queríamos que a nossa bebê sofresse mais. Seu cérebro havia sido afetado, seus movimentos estavam comprometidos e sua visão também. Mas para nossa felicidade, os médicos foram enfáticos em nos dizer que enquanto houvesse qualquer esperança eles estariam lutando junto conosco.
O empenho médico foi fundamental, mas aqui é que quero deixar uma mensagem para qualquer pessoa que possa passar por algo semelhante, seja com pessoas ou com animais, mas que seja com alguém que se ama verdadeiramente. Lute! Lute sempre e não desista! Íamos visitar a Glorinha todos os dias de 2 a 3 vezes no mesmo dia, num esquema de revezamento, para que ela sentisse a nossa presença. Quando chegávamos na recepção da clínica, os auxiliares de veterinários que ficavam na internação junto dela, diziam que ela mudava completamente quando percebia nossa presença.
Foram 15 dias de internação nesta clínica, além dos 6 dias na outra; uma batalha pela vida e uma força espiritual que nem eu sabia ter, mas que posso afirmar, quando há amor, há esta força. Muitas e muitas vezes, desde aquela fatídica sexta-feira quando ela quase partiu, pedi aos amigos de luz que estivessem sempre com ela, que interviessem junto a Deus para ela não sofresse, mas que para ela voltasse a ter saúde.
Os veterinários ficaram espantados, pois Glorinha chegou a ter mais de 100 mil leucócitos, algo imponderável, já que o parâmetro maior é 17 mil.
Agora, dia 1º de janeiro, fará 4 meses da alta da Glorinha. Ela voltou para nós. Voltou ainda com algumas alterações neurológicas que, segundo os médicos, provavelmente não voltariam ao normal.
Pois acreditem, ao longo destes 4 meses, Glorinha não anda mais em círculos (uma sequela neurológica da hipoxia cerebral - falta de oxigênio); já consegue comer sozinha (no início não tinha o movimento correto da língua); já voltou a brincar com sua bolinha (usamos como uma espécie de fisio caseira); já quis inclusive bater nos seus irmãos caninos!); e por enquanto está com a falta de visão, que nos disseram, não tem volta, pois embora sua parte óptica esteja perfeita houve comprometimento neurológico.
Mas depois de tudo que ela passou, acho muito "perigoso" afirmar qualquer coisa de forma tão definitiva.
Para Glorinha tudo é possível, ela é uma guerreira!
Este texto pode ser longo, mas quis compartilhar com quem lê e que possa ter alguém com situação semelhante ou até mesmo desesperançoso com situações muito mais simples do que esta, para que possam acreditar.
Não desistam! Se houver 1% de vida e 100% de amor, tudo é possível!
Que 2013 nos reserve boas surpresas, pois 2012 me fez crer na força espiritual, na força do amor e a ter paciência e comemorar cada avanço com muita alegria.
Venha 2013! Venha com muito mais amor!





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