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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

"Quando olhei a primeira onça, cara a cara, percebi o quanto desconhecia aquele universo tão espantosamente magnífico!" - Cristina Gianni

Falar sobre o início do Nex significa ter lembranças emocionais muito fortes. O que quero dizer é que foi totalmente coração seguido de alguns meros resquícios de razão.

Quando olhei a primeira onça, cara a cara, percebi o quanto desconhecia aquele universo tão espantosamente magnífico! A partir daí, comecei o aprendizado mais bonito da minha vida. Claro que toda grande beleza, tem uma grande sombra.

Penetrei também no terrível submundo da caça predatória e em todo tipo de barbáries cometidas pelos caçadores contra as onças. Meu estômago revirou em várias oportunidades, tal a sanha de crueldade que envolve o ato de matar onças. Como se elevasse o sujeito às alturas saber torturar e, só depois de muito sofrimento e dor, conceder a dádiva da morte ao animal.

Talvez isto tenha me dado as garras afiadas que ainda não portava para sair em defesa das majestades da floresta e da própria floresta, nossa verdadeira fonte de vida. A defesa dos felinos me transformou em guerreira! Saí da minha zona de conforto e fui para o front.

Antes de encarar as onças, era apenas uma boa pessoa. Por amor a elas, descobri que bondade sem atitude pouco adianta. Há muitos criminosos impunes esperando só por uma oportunidade de matar. Um bom policial deve sentir o mesmo, quando evita um crime. Salomão , exemplo de sabedoria, dizia:- "Ser bom é fácil, o difícil é ser justo". A indignação me fez deixar a bondade confortável de lado, indo à luta para implantar um pouco mais de justiça com meus atos e, pelo menos, ao meu redor. Portanto, cuidar de onças me resignificou como ser.

Cada onça que chegou ao Nex, nos levou para um caminho de crescimento. Cada vez que pensamos saber alguma coisa, chegava um felino que nos dizia o contrário. Hoje, temos vinte e seis felinos diferentes, cada qual com sua personalidade, tendências e preferências, nos ensinando profundas lições de humildade e, acima de tudo, respeito.

Esta trajetória começou em 2001 e, se Deus quiser, jamais terá fim. Há realizações que chegam além da própria vida e, quando eu passar para o outro nível, quero continuar ajudando a natureza. Enquanto houver humanidade, haverá a mesma batalha: destruição x regeneração.

Não consigo dimensionar o tamanho do trabalho do Nex. Se tento, sempre acho que fazemos muito pouco, tal a situação crítica em que se encontram todas as espécies de felinos, principalmente, as onças. O tesouro da biodiversidade do nosso país foi largado à deriva.

As onças, quando não vítimas de tráfico, são perseguidas por bandos de cachorros (caçadores e cães), acuadas em cima das árvores, alvos de miras certeiras, torturadas, mortas e mutiladas. Este é o dia a dia das onças. Será que vencerão a luta pelo seu habitat contra a cobiça insaciável dos homens pelas terras? Terão caça para se alimentar e às suas crias? Os felinos terão futuro? Do que sei e vejo, só sobra esta pergunta .

Onde queremos e iremos chegar deixando como marca este rastro de destruição que acompanha nossas ações contra o equilíbrio do planeta?

Como muitos, não só acredito na justiça como também em uma justiça divina. Sei que, a qualquer instante e em qualquer lugar, de repente e sem aviso algum, o jogo vira.

Se não acreditasse nisso não poderia sequer viver . Ainda que as aparências mostrem o caos, a natureza e o bem sempre vencerão!
                                                                               
Por: Cristina Gianni












Fundadora e Presidente do Nex, uma ONG localizada no 
município de Corumbá/GO, com objetivo de preservação
e defesa dos felídeos da fauna silvestre em processo de extinção no Brasil.

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