Proteção Animal, Receitas Veganas e Vegetarianas, Direitos dos Animais

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Carta a um amigo - Protetora do Rio Grande do Sul -




À PROCURA

Procura-se um cão de guarda

“O cão que estou procurando é da raça Rotweiller e deve pesar uns 50 a 60 quilos. O reconheceria na hora, porque ele tem rabo. O animal pertence à Companhia do Cão e, segundo informações da própria empresa, foi bater continência na cidade de São Francisco de Paula, na Serra gaúcha.

A minha proteção começou quando fui chamada para atender uma denúncia numa rua em frente ao Parque da Redenção, em Porto Alegre. Um cão Fila, também pertencente a uma empresa de vigilância, estava em situação de abandono. Não foi difícil fazer amizade com ele e, como na época eu morava naquelas proximidades, tomei para mim a tarefa de alimentá-lo diariamente. Fiz contatos com a empresa para que ele fosse submetido a tratamento, mas decidiram trocar o animal de endereço. Fiquei triste, não só pela saudade que sentia dele, mas por não saber como ele estava sendo tratado e, se de fato, estava recebendo algum cuidado.

Foi quando chegou o Thor, ou Gordo, como eu costumava chamá-lo. Nem sei ao menos se este era o seu nome verdadeiro. Ele era furioso, um Rotweiller daqueles de fazer tremer as pernas apenas com o latido. Um verdadeiro cão de guarda, pronto a passar os dentes em qualquer mão estranha que ultrapassasse os limites da grade da casa que o separava da vida digna a que tinha direito.

Pensei: ‘Melhor assim. Como ele é muito agressivo não vamos travar amizade. Assim quando for levado daqui, eu não sofro, e ele também não’. Então combinei com o Gordo: ‘Ok. Eu te trago comida e água. Você não me morde e eu respeito o teu espaço e o teu mau humor’.

A verdade é que, desde criança, nunca tive medo de cães. Sempre os considerei, assim como os outros animais, criaturas divinas, nascidas com o melhor espectro de Deus e, por isso, bondosos na sua essência, por mais que o ser humano pudesse transformá-los. Não sei como aconteceu, mas num desses dias em que eu levava comida, depois de servi-lo, fui para a segunda etapa: trocar a água. Não podia conceber que, num calor de mais de 35 graus, ele não tivesse água fresca.

Depois de alguns dias de convivência veio a grata surpresa. Gordo sentou-se ao lado do prato de ração, abaixou a cabeça e passou a me observar, como quem dissesse: ‘Está bem, pode passar a mão na minha cabeça’. Foi o que fiz, mesmo sabendo que ele não era acostumado a afagos. Via-se naqueles olhos o desconforto, ao mesmo tempo em que tinha a curiosidade em experimentar a amizade humana. E, aos poucos, respeitando limites e quebrando paradigmas, nos tornamos amigos. Amigos, ao ponto de a comida se tornar algo secundário. Em primeiro lugar estava o carinho.

Gordo reconhecia o barulho do carro e pulava o mais alto que podia em frente às grades para que eu soubesse o quanto estava feliz por ter chegado. Mas tão feliz que grudava-se nas grades para que eu pudesse abraçá-lo. Depois de um tempo, começaram a surgir novos cuidadores... Depois de um tempo, com problemas de saúde, ele foi embora.

Procuro por este cão de guarda porque, uma vez, enquanto ele estava esparramado no meu braço, eu jurei que se um dia o tirassem de lá, eu o encontraria. Se alguém souber onde ele está, por favor, leia para ele o bilhete abaixo. De alguma forma, ele vai entender:

‘Querido amigo,

Diante daquele berne que se alojou na sua orelha, não me restou alternativa senão brigar com eles – da empresa – e exigir que lhe fosse dado atendimento. Infelizmente, eu já esperava que, retirando você de lá, muito provavelmente eles não o trariam de volta. Mas deixá-lo naquele estado era muito arriscado à saúde.


Tentei incontáveis vezes fazer contato para saber onde e como você estava, mas tudo o que me disseram foi que você seria levado a São Francisco de Paula. Quero que saiba que até tentar comprar você, eu tentei, sem sucesso. Gostaria que soubesse que penso em você todos os dias e, nos meus sonhos e pensamentos, ainda agarro você nos meus braços e passo a mão na sua barriga, do jeitinho que você gostava.

Tenho a esperança que, mesmo à distância, você possa sentir de alguma maneira a minha presença e que isso, de alguma forma, torne a sua rotina menos solitária. Não esqueci da promessa que fiz de lhe reencontrar um dia. Peço a Deus que um dia você possa morar num lugar que o tratem com a dignidade que todos merecem. Continuo minha busca e aguente firme que um dia nos encontraremos. Amo você, grandão!

Com amor da tua protetora’”.

Elaine Carrasco

http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/seda_news/cache/news20120203.html

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